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Moedas Digitais e o Combate à Lavagem de Dinheiro

Moedas Digitais e o Combate à Lavagem de Dinheiro

02/01/2026 - 19:36
Fabio Henrique
Moedas Digitais e o Combate à Lavagem de Dinheiro

As moedas digitais transformaram o setor financeiro, oferecendo rapidez e privacidade. No entanto, esse avanço trouxe desafios importantes, principalmente no combate à lavagem de dinheiro. No Brasil, as novas regras do Banco Central prometem elevar o nível de segurança e alinhar o país às melhores práticas globais.

Panorama Global das Moedas Digitais

Internacionalmente, criptomoedas, stablecoins e CBDCs revolucionaram a forma de transferir recursos. A descentralização e a rapidez das transações foram celebradas, mas também atraíram usos ilícitos. Casos como o colapso da FTX em 2022 mostraram como a falta de controles rígidos pode gerar perdas bilionárias e fragilizar investidores.

Organizações como o GAFI/FATF estabeleceram diretrizes para Identificação de clientes (KYC), mapeamento de beneficiários finais e reporte de operações suspeitas. O Brasil segue essas recomendações para reduzir riscos sistêmicos e coibir práticas ilícitas.

Novas Normas do Banco Central Brasileiro

Em 10 de novembro de 2025, o BC publicou as resoluções BCB 519, 520 e 521, parte da Lei 14.478/2022. Elas entram em vigor em 2 de fevereiro de 2026, com prazos de adaptação para as prestadoras de serviços.

  • Autorização e Fiscalização pelas autoridades competentes;
  • Segregação Patrimonial para proteger recursos de clientes;
  • Prova de Reservas e auditorias independentes;
  • Relatórios de Transparência periódicos;
  • Categorização das Empresas por atividade;
  • Proteção de Dados e Segurança cibernética.

Essas regras visam aumentar segurança, transparência e aproximar o mercado nacional de padrões internacionais.

Detalhamento das Exigências Regulamentares

As empresas prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs) devem obter autorização do BC para operar. Além disso, precisa haver separar os ativos dos clientes do patrimônio próprio, evitando conflitos em caso de insolvência.

Outro ponto é a auditorias independentes a cada dois anos, que comprovam a existência dos ativos e fortalecem a confiança do investidor. A publicação de relatórios de transparência também passa a ser obrigatória, reforçando a visibilidade sobre operações e riscos.

Como as Regras Fortalecem o Combate à Lavagem de Dinheiro

O combate efetivo à lavagem de dinheiro exige processos robustos de monitoramento e reporte. A partir de 4 de maio de 2026, todas as operações internacionais com criptoativos deverão ser informadas ao BC.

  • Registro e Reporte de transações internacionais;
  • Avaliação de Risco do Cliente antes de operações complexas;
  • Implementação de políticas de prevenção a fraudes e lavagem;
  • Responsabilidade Civil por falhas ou perdas causadas por negligência.

Cada exchange deve identificar, analisar e monitorar o perfil de risco de seus usuários, aplicando controles proporcionais ao nível de risco detectado.

O Impacto das Stablecoins nas Transferências Internacionais

Stablecoins vêm ganhando espaço em transações internacionais devido à isenção de IOF, que pode chegar a 3,5% em cartões tradicionais. Em outubro de 2025, houve R$ 10 bilhões movimentados em stablecoins, evidenciando a relevância desse mecanismo.

Com as novas normas, as stablecoins passam a ser equiparadas a operações de câmbio e sujeitas à regulamentação cambial. A possível futura cobrança de IOF trará maior equidade ao sistema, mas ainda depende de definições da Receita Federal.

Principais Prazos e Obrigações

Desafios, Limitações e Perspectivas Futuras

Apesar dos avanços, alguns pontos ainda exigem atenção. A natureza descentralizada de blockchains públicas e o uso de protocolos de privacidade avançada dificultam o rastreamento de transações ilícitas.

  • Complexidade técnica de rastreamento em redes descentralizadas;
  • Custos operacionais elevados para adequação plena;
  • Possíveis lacunas em normas internacionais ainda em debate.

É fundamental que o Brasil continue aprimorando suas práticas, promovendo intercâmbio de informações com órgãos globais e investindo em tecnologias de análise forense de blockchain.

Considerações Finais

Com as resoluções do Banco Central, o Brasil dá um passo decisivo para reforçar a segurança do mercado e proteger investidores de práticas ilícitas. A exigência de autorização, segregação patrimonial e auditorias constrói um ambiente mais sólido e confiável.

Ao mesmo tempo, o setor de moedas digitais precisa enfrentar desafios técnicos e operacionais, equilibrando inovação e conformidade. A cooperação entre reguladores, empresas e usuários será a chave para garantir que a revolução digital seja também sinônimo de transparência e integridade.

Em um mercado global cada vez mais conectado, as novas normas brasileiras servem de exemplo para outras jurisdições. A combinação de tecnologia, regulação e fiscalização cria um ecossistema no qual a inovação financeira pode florescer de maneira sustentável e ética.

Fabio Henrique

Sobre o Autor: Fabio Henrique

Fabio Henrique